Traga
sua elegância silenciosa, sua complacência absoluta, sua capacidade de fazer-se
notar; sem alarmes, sem surpresas...
Seja
bem vindo céu límpido, com temperatura amena, seu vento discreto e sua
capacidade de fabricar os dias mais perfeitos do ano...
Façam-se
presentes seus projetos e minha imensa capacidade de embaralhar os pensamentos
e encontrar não uma, mas doze ou treze conclusões...
Seja
moroso em sua passagem, marcante em sua essência... Seja saturado de sinais
indecifráveis e de descobertas surpreendentes...
Seja
bem vindo Outono!! Minha casa é sua casa...
Faça-me
encontrar novos caminhos, velhos amigos, antigas lembranças... Dê-me certezas
que desmoronam e dúvidas sólidas, ambas cortantes...
Seja
breve em palavras, extenso ao silenciar, desperte grandes aventuras e pequenas
descobertas... Seja bonito seu cantar, desgastante sua melodia...
Que
as cores falem!
Seja
apenas Outono, nada mais!! Leve-me – mais uma vez – a reverenciar sua
permanência e extrair de ti o alimento de minha essência!
Cores de meia-cor pairam no céu
O que indistintamente se revela
Árvores, casas, montes, nada é meu..." (Fernando Pessoa)